Quinze filmes, quinze encontros, quinze amores de 2012 —excluindo filmes por cá estreados comercialmente.
A cinefilia também se faz pelos filmes que ficam por ver. E quanto a estreias comerciais, as muitas falhas que ficaram por colmatar em 2012 —entre as quais, alguns títulos nacionais que poderiam muito bem caber num outro top imaginário: A Vingança de Uma Mulher, É na Terra Não É na Lua, Linha Vermelha, O Gebo e a Sombra— fazem deste habitual balanço de fim-de-ano, uma dura soma entre o pouco (significante) que se viu e o muito que ficou por ver.
Serbuan maut
Gareth Evans | 2011 | Indonésia, EUA
Tendo sido a primeira longa-metragem exibida nesta sexta edição do MOTELx, foi ao selvático Serbuan maut (The Raid: Redemption, título internacional), um dos melhores títulos em passagem, que couberam as verdadeiras honras de sessão de abertura. E que abertura…
Eventos cada vez mais atractivos, os festivais de cinema têm assumido, de ano para ano, um papel de expansiva importância na dinamização cultural e cinematográfica em Portugal, propondo, em alternativa aos circuitos comerciais de exibição-distribuição, uma amplidão de oportunidades, por vezes inéditas e economicamente mais acessíveis, moldadas, em certos casos, a um (ou a vários) público-alvo: são disso exemplos o próximo Queer Lisboa e o presente MOTELx – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa que, pela sua sexta vez, volta a dar, durante cinco dias, as boas-vindas ao horror.
I. O pós: uma linha, duas, três…
“Não escrever sobre cinema é tão importante quanto escrever sobre cinema.” —Buda1
Escrever porque me apetece, escrever porque é giro, escrever porque a Maria gostou do filme dos Morangos, escrever porque a ex tem um novo namorado, escrever porque tenho o quarto por arrumar, escrever porque não largo o Facebook, escrever porque deixei queimar o arroz, escrever, escrever porque:
Escrever é preciso. Para que a corrente não nos leve, para que se chegue à outra margem —se a crítica é uma ponte então os críticos são engenheiros, e as ideias são obreiros, e as letras os seus materiais. O que reside, então, na “outra margem”?



