I’m a Stranger Here Myself
de David Helpern
EUA, 1975, Cores, 60 minutos
Onde está esse mito, onde está esse homem? Ray, rei secreto do Cinema, patrono de uma cinefilia alheia, não tão secreta mas deveras saudada, quais súbditos louvando seu soberano monarca. Esse grande sacana que foi Ray.
Johnny Guitar:
— I’m a stranger here myself.
Os devaneios, seus, eram, pois não, a sua realidade: Ray, rei secreto do Cinema, atraído pelo sistema que lhe dera abrigo — esse sistema corrupto em que Hollywood se fruíra, de fatalidade comparável à dos seus personagens, de uma sensibilidade incompatível à sociedade, que o rejeita. Vende a alma ao diabo e a deus (King of Kings). Quer ser dono de si. Não o é.
Vulnerável, deteriora-se-lhe o estatuto, apodrecem os dentes, perde uma visão. Porém, tentou resistir até ao fim.
Não haverá outro mito, e certamente, não haverá outro homem como Nicholas Ray.

