Les carabiniers (Os Carabineiros)
de Jean-Luc Godard
França/Itália, 1963, Preto e branco, 80 minutos
Mais que um conto sobre a guerra, é um sobre os miseráveis que nela combatem, é uma alegoria revestida num humor que se quer negro, a preto e branco, mordaz.
Ninguém escapa à vileza, à futilidade, às ilusões, aos sonhos. Não há a moralidade fácil na representação das classes baixas: ser ingénuo não é ser puro. Quantos não foram os cadáveres, quantas não foram as mentiras, sempre tidos na manigância humorística?
Contudo, o esboço da família protagonista entrega-se igualmente a relevantes circunstâncias positivas, que revelam o lado mais doce da sua personalidade e da sua inocência, como a mãe, atraente, com os lábios em coração —preponderante elogio ao cinema clássico—, ou a hilariante cena no cinema, ou até o breve retorno dos homens a casa, pejados de todas as riquezas do mundo, contidas numa maleta.
Les carabiniers é, como outros exemplos, prova da subsistência de um cinema claramente politizado de Jean-Luc Godard, antecedente à sua “fase militante” pós-Maio de 68, tendo sido, neste exacto caso, um alicerce para a perduração da corrente pós-modernista no cinema.

