The Artist (O Artista)
de Michel Hazanavicius
França/Bélgica/EUA, 2011, Preto e branco, 100 minutos
The Artist é uma tentativa. De cinema. De qualquer coisa, que nunca poderá ter, ser. Filme mudo não é cinema mudo.
Contrariamente ao cinema que homenageia, o mudo não o foi por opção, por graça, por efeito, pois The Artist é cinema moderno a tentar ser mudo, sem que os artifícios (o 4:3; a cinematografia monocromática; a pertinente banda sonora que responde à necessidade de esconder os problemas de um paupérrimo e enfadonho enredo que se perde a meio) em que se apropria à sua semelhança cheguem a convencer que, de facto, estamos perante uma obra do passado, das décadas de 1920 e 1930, como os seus “filmes dentro o filme” que tampouco são fiéis à época.
Diria até que nada em The Artist é fiel à época, ou não lhe fizesse parte um magnífico nome, qual amálgama de Clark Gable e Douglas Fairbanks: Jean Dujardin.
E a película, sem sombra de dúvidas, é Dujardin.
Todo o resto é medíocre, oco, falso. Criativo, não inovador.
- Estarei a ser demasiado exigente, ou terá o mundo enlouquecido, elogioso a tamanha mediocridade?

